
A ARKOM, empresa brasileira de tecnologia fundada e presidida pelo empresário Thiago Finch, iniciou suas atividades no mercado nacional com foco em companhias que faturam acima de R$ 1 milhão por mês. A empresa estabeleceu como meta atingir R$ 50 milhões em Receita Recorrente Anualizada (ARR) nos primeiros 12 a 18 meses de operação. A projeção é de responsabilidade da companhia e não passou por auditoria independente.
O ponto de partida do trabalho não é a escolha de uma ferramenta, e sim a própria operação da empresa atendida. Os processos são mapeados, as atividades consideradas desnecessárias são identificadas e os fluxos são simplificados antes de qualquer implantação tecnológica. A ARKOM chama esse procedimento de iatização, termo que descreve a reorganização de uma operação para que a inteligência artificial deixe de apenas recomendar ações e passe a executar e coordenar processos definidos e integrados às regras e aos dados do negócio, sob supervisão humana.
Adoção avança, conversão em resultado ainda não
O posicionamento da ARKOM responde a uma distância documentada entre a velocidade de adoção da inteligência artificial e sua conversão em resultado.
Em pesquisa com 1.006 profissionais de tecnologia e de áreas de negócio de organizações da América do Norte e da Europa, a S&P Global Market Intelligence identificou que a parcela de empresas que abandonou a maioria de suas iniciativas de IA passou de 17% para 42% em um ano. Em média, 46% das provas de conceito foram descartadas antes da adoção ampla.
O estudo global The Widening AI Value Gap, publicado pelo Boston Consulting Group em setembro de 2025 a partir de entrevistas com 1.250 executivos, aponta que 60% das empresas relatam pouco ou nenhum valor material captado com IA e que apenas 5% estão efetivamente preparadas para utilizá-la em escala. Segundo o mesmo levantamento, esse grupo mais avançado registra crescimento de receita cinco vezes maior e redução de custos associados à tecnologia três vezes maior do que as demais empresas.
No Brasil, o Panorama 2026, elaborado pela Amcham Brasil em parceria com a Humanizadas com base em entrevistas com 629 executivos de médias e grandes empresas, indica que 61% das organizações obtiveram apenas resultados pontuais ou nenhum resultado relevante com inteligência artificial em 2025. Somente 3% afirmam ter convertido a tecnologia em novas receitas e vantagem competitiva.
"O problema não está na tecnologia, está na sequência. A maioria das empresas instala inteligência artificial sobre uma operação que ninguém auditou, ninguém simplificou e ninguém documentou. É o motor do século 21 em um layout do século passado. A IA não falhou com essas empresas. A operação nunca foi preparada para recebê-la", afirma Thiago Finch, fundador e presidente da ARKOM.
A companhia recorre a um paralelo industrial para sustentar a tese. Em 1913, a Ford introduziu a linha de montagem móvel na fabricação do Model T. Segundo a Detroit Historical Society, o tempo de montagem do chassi caiu de 12 horas e 8 minutos para 93 minutos em 1914. O ganho não veio apenas da tecnologia disponível, mas da reorganização do trabalho ao redor dela.
Método estruturado em quatro movimentos
A iatização é organizada em quatro etapas. A primeira, "auditar", consiste em mapear processos, sistemas, dados, decisões e responsabilidades. A segunda, "reduzir", elimina etapas desnecessárias e simplifica fluxos. A terceira, "conectar", integra a inteligência artificial ao contexto, às regras e aos dados do negócio. A quarta, "operar", coloca a tecnologia para executar processos delimitados, com indicadores, limites definidos e acompanhamento humano.
"Operar não significa retirar as pessoas da equação. Significa mudar o papel delas: a inteligência executa dentro dos limites definidos, enquanto uma pessoa acompanha, decide e responde pela operação", afirma Finch.
Frentes iniciais de atuação
A atuação inicial da companhia se concentra em processos ligados à eficiência operacional, à aquisição e à retenção de clientes. Entre as aplicações prioritárias estão a identificação de sinais associados ao risco de cancelamento, a redução de tarefas manuais, o aumento da capacidade operacional e a consolidação de indicadores como Custo de Aquisição de Cliente (CAC) e Valor do Tempo de Vida do Cliente (LTV).
Cada implantação parte de um escopo definido com a empresa atendida. Processos, indicadores e metas variam conforme a situação inicial do negócio, a qualidade dos dados disponíveis e as prioridades estabelecidas pelo cliente. A inteligência artificial atua dentro de limites previamente acordados, e pessoas seguem responsáveis por estabelecer critérios, aprovar decisões sensíveis e responder pela operação.
Segundo a ARKOM, o método já é aplicado em etapas da própria operação comercial da empresa, incluindo processos de atração, atendimento, qualificação e conversão de potenciais clientes. A companhia integra o portfólio de tecnologia do Grupo Bilhon, holding presidida por Thiago Finch e formada por negócios nas áreas de educação, tecnologia e investimentos.
Para a empresa, o próximo ciclo da inteligência artificial no país deverá ser definido menos pelo acesso às ferramentas e mais pela capacidade de integrá-las a processos reais, com contexto, governança e responsabilidade definida.
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