Os governos federal e do Rio Grande do Sul assinaram, na sexta-feira, 11 de setembro, autorizações que somam cerca de R$ 1,5 bilhão para obras de proteção contra cheias em Eldorado do Sul, Porto Alegre e Canoas, na Região Metropolitana de Porto Alegre. O maior volume vai para o sistema de proteção, bombeamento e amortecimento de cheias de Eldorado do Sul, autorizado para licitação no valor de R$ 1,03 bilhão, segundo nota da Casa Civil da Presidência da República. Parte das obras será executada em áreas de solo mole e saturado. Essa condição coloca a investigação geotécnica, as fundações e a perfuração do solo entre as etapas mais sensíveis dos canteiros.
Do valor destinado a Eldorado do Sul, R$ 730 milhões vêm do Fundo de Apoio à Infraestrutura para Recuperação e Adaptação a Eventos Climáticos Extremos (Firece) e R$ 300 milhões do Fundo do Plano Rio Grande (Funrigs), administrado pelo governo estadual. Também foi autorizada a licitação do Pôlder 10, em Porto Alegre, orçado em R$ 178 milhões. Os recursos integram os R$ 6,5 bilhões depositados pela União no Firece em dezembro de 2024, fundo que financia oito obras estruturantes de prevenção no estado. Na capital, a prefeitura também recebeu autorização para a obra definitiva dos pôlderes 7 e 8, entre os bairros Anchieta e Sarandi. A obra está estimada em R$ 300 milhões e prevê duas novas estações de bombeamento, alargamento de canais e reconstrução de diques.
Em Eldorado do Sul, o anteprojeto revisado em 2026 prevê 8,6 quilômetros de diques, quatro casas de bombas, quatro bacias de amortecimento e nova drenagem, com início das obras estimado para 2027. Segundo o pesquisador Maurício Paixão, do Instituto de Pesquisas Hidráulicas (IPH) da UFRGS, os solos moles no entorno do município tornam complexa a construção de estruturas mais altas. De acordo com ele, um projeto inadequado estaria sujeito a problemas de estabilidade e afundamento. O projeto original, anterior à revisão, já previa um trecho de dique em muro de flexão estaqueado e atirantado, com o restante em aterro de argila, conforme descrição do Ministério das Cidades.
Em solos de baixa capacidade de carga, uma das soluções adotadas pela engenharia geotécnica é o aterro estaqueado, no qual estacas atravessam a camada mole e se apoiam em solo mais profundo e estável. Casas de bombas, comportas e muros também dependem de fundações definidas a partir de investigação geotécnica prévia, com sondagens SPT, rotativas ou mistas. Essa investigação indica o perfil do solo, o nível d'água e a necessidade de revestimento ou estabilização do furo antes da entrada da perfuratriz em campo.
"Em solo mole e saturado, o principal desafio é manter o furo estável. A decisão sobre revestimento ou controle da água é do projeto de fundações; o equipamento precisa ser escolhido para executar essa decisão com precisão", afirma Matheus K. Leite, engenheiro mecânico da Bristol.
Na execução, a compatibilidade entre a perfuratriz hidráulica e a máquina-base tende a ser um fator limitante. "Em obra de dique, a máquina-base costuma ser o gargalo: peso sobre o aterro, estabilidade perto do talude e capacidade hidráulica. Uma máquina que carrega o implemento, mas não entrega vazão e pressão, não serve", explica Leite.
A execução em terreno saturado já faz parte da rotina das obras em andamento na capital. A primeira etapa dos pôlderes 7 e 8 foi concluída entre junho e agosto, com investimento de R$ 47 milhões. Nela, o Departamento Municipal de Água e Esgotos (Dmae) instalou bombas anfíbias que retiravam cerca de seis mil litros de água por segundo da área interna, o que manteve o canteiro seco durante a elevação do rio Gravataí. Na mesma região, a reconstrução dos diques do Arroio Areia depende da conclusão de demolições na área. Nessa etapa, a remoção de estruturas de concreto costuma envolver o rompedor hidráulico em escavadeira.
Os editais estão previstos para 2026 e 2027, e os prazos de execução chegam a quatro anos em Eldorado do Sul. Nesse cronograma, a investigação do solo, as fundações e a perfuração estarão entre as primeiras frentes dos novos canteiros de proteção da Região Metropolitana. A Bristol, indústria brasileira fundada em 1973, em São Jerônimo (RS), fabrica perfuradores de solo, rompedores hidráulicos e implementos para motosserra.
Informações sobre a empresa estão disponíveis em: https://www.bristol.ind.br/
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