
A boca é uma das portas de entrada do ar no corpo. Faz sentido, então, que a saúde da gengiva apareça com destaque nas pesquisas sobre doenças do pulmão. Entre as ligações estudadas entre a gengiva e o resto do corpo, esta é uma das que têm a explicação mais direta.
Uma revisão publicada em 2023 no Journal of Clinical Periodontology reuniu 75 artigos sobre a relação entre a periodontite, inflamação crônica da gengiva e dos tecidos que sustentam os dentes, e doenças respiratórias. Os principais resultados:
Um caminho curto
A explicação mais direta é a microaspiração. Pequenas quantidades de saliva, com bactérias da boca, podem descer para os pulmões, principalmente durante o sono e em pessoas com dificuldade para engolir. O caminho é curto e conhecido.
É por isso que a higiene bucal recebe atenção especial em hospitais. Em muitos serviços, o cuidado com a boca faz parte das rotinas de prevenção da pneumonia em pacientes de UTI que respiram com ajuda de aparelhos, um exemplo concreto de como a odontologia participa do cuidado com a saúde geral.
Como ler os números
Os dados de DPOC e apneia vêm de estudos de observação, que mostram associação. O cigarro, que pesa nas duas doenças, entra nos cálculos dos pesquisadores. No caso da apneia, a relação pode correr também no sentido inverso: quem tem apneia costuma respirar pela boca e ter boca seca, e isso favorece a doença na gengiva, o que reforça a importância do acompanhamento odontológico desses pacientes. A revisão encontrou quatro estudos que testaram tratamento da gengiva, e o tema segue como uma das fronteiras da pesquisa.
Para quem tem DPOC, apneia diagnosticada ou pneumonias que se repetem, faz sentido incluir a avaliação odontológica periódica no cuidado geral, em diálogo com o pneumologista. O diagnóstico e o tratamento de cada condição cabem aos profissionais responsáveis por cada área.
Dr. Fernando Costa Jr.
Cirurgião-dentista — CRO-SP 38692. Pioneiro no uso do laser Fotona na odontologia brasileira.
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