
Com a popularização das ferramentas de inteligência artificial nos mecanismos de busca, a forma como consumidores encontram empresas locais está passando por uma transformação significativa. O processo, antes baseado em listas de links e palavras-chave, agora se torna mais conversacional e orientado à intenção do usuário. Essa mudança altera a lógica do marketing digital, reduzindo a dependência de pesquisas tradicionais e exigindo novas estratégias de posicionamento online.
De acordo com pesquisa realizada pela Central do Varejo, 47% dos varejistas brasileiros já utilizam sistemas inteligentes em áreas ligadas a marketing e vendas. Em escala global, um estudo da Accenture, divulgado pelo UOL, mostra que mais de 90% dos líderes de mídia acreditam que a IA generativa vai remodelar a indústria em breve, embora 97% admitam não ter uma visão clara sobre o impacto da tecnologia em suas estratégias.
Para Daniel Parra, fundador da agência de marketing digital PlanAds, a inteligência artificial está mudando a forma como os consumidores se relacionam com a busca. "Antes, a pessoa digitava algo como ‘clínica odontológica em São Paulo’ e analisava uma lista de links. Agora, ela pode perguntar: ‘Qual clínica odontológica perto de mim tem boa avaliação, atende crianças e abre aos sábados?’. A IA interpreta o contexto, cruza informações e tende a entregar uma recomendação mais direta", explica.
Essa mudança, segundo Daniel Parra, exige que empresas locais tenham informações consistentes, avaliações reais, conteúdo claro, presença em canais relevantes e autoridade digital. "A IA vai buscar sinais de confiança em várias fontes para decidir quais negócios merecem aparecer como resposta. Não basta apenas estar presente no Google ou ter um site", avalia.
"Na busca tradicional, o usuário recebe uma lista de resultados e precisa comparar os sites, abrir páginas, ler avaliações e tirar suas próprias conclusões. Na busca baseada em IA, a ferramenta já tenta fazer parte dessa análise pelo usuário, organizando as informações e, muitas vezes, entregando uma resposta resumida ou uma recomendação", complementa.
Para pequenas e médias empresas, o desafio é se preparar para esse novo cenário. O primeiro passo, segundo o executivo, é organizar a presença digital por meio de um site bem estruturado, perfil atualizado no Google, dados corretos de endereço e horário, boas avaliações e conteúdo claro sobre produtos e serviços.
"Depois, é importante produzir conteúdo útil. A pequena empresa precisa responder na internet às dúvidas que o cliente já faz no dia a dia. Perguntas frequentes, comparativos, orientações e conteúdos locais ajudam a IA a entender melhor quem é aquela empresa e por que ela pode ser uma boa indicação", reforça.
Outro ponto essencial apontado por ele é a reputação, em que avaliações, depoimentos, presença em portais, redes sociais atualizadas e consistência nas informações passam a ter um peso maior. "A empresa que comunica bem, gera confiança e mantém seus dados organizados tende a ser mais favorecida nesse novo ambiente", ressalta.
Na avaliação de Daniel Parra, o SEO tradicional continuará sendo importante, mas precisa evoluir. "A base técnica ainda vale: site rápido, bem construído, responsivo, com boa arquitetura de informação e conteúdo indexável. Porém, o SEO não pode mais ser visto apenas como repetição de palavras-chave ou tentativa de ranquear uma página específica", salienta.
"O novo modelo precisa considerar autoridade, contexto, intenção de busca e presença em diferentes fontes. Eu costumo dizer que o SEO deixa de ser apenas ‘aparecer no Google’ e passa a ‘ser entendido e recomendado pelos mecanismos inteligentes’", completa.
Ele acrescenta que mídia paga continua sendo relevante, especialmente Google Ads e Meta Ads, mas precisa estar conectada a uma estratégia mais ampla. "Não adianta investir em anúncio se, ao pesquisar a empresa, o consumidor encontra informações confusas, poucas avaliações ou um site ruim. A IA tende a valorizar marcas que apresentam sinais consistentes de confiança", observa.
Evolução é a chave para o mercado nacional
Sobre o mercado brasileiro, Daniel Parra afirma que muitas empresas ainda não estão preparadas para essa nova dinâmica e tratam a presença digital como algo secundário. Algumas têm redes sociais, mas não têm site estruturado. Outras têm site, mas não atualizam informações básicas. Muitas não acompanham avaliações, não produzem conteúdo e não sabem medir de onde vêm seus contatos e vendas.
Apesar disso, ele vê oportunidade para quem se adaptar. "Quem se organizar agora pode sair na frente. O mercado brasileiro é muito competitivo, mas ainda existe uma grande diferença entre empresas que apenas estão na internet e empresas que realmente constroem presença digital. A inteligência artificial vai acelerar essa separação. Negócios com dados organizados, boa reputação, conteúdo relevante e estratégia digital terão mais chance de serem encontrados, recomendados e lembrados", conclui.
Para saber mais, basta acessar: https://planads.us/
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