
A aplicação da inteligência artificial (IA) na obstetrícia tem avançado no apoio ao diagnóstico, monitoramento e prevenção de complicações durante a gestação. Uma revisão científica publicada na PubMed Central aponta que a tecnologia já vem sendo integrada à prática clínica da especialidade, com uso em exames como cardiotocografia fetal, ultrassonografia e ressonância magnética.
Entre os usos descritos no estudo estão recursos aplicados ao monitoramento fetal e ao apoio na identificação precoce de possíveis complicações gestacionais. Dados divulgados pelo Conselho Nacional de Saúde mostram uma morte materna por hora na América Latina e Caribe em 2020, enquanto o Brasil registrou 107,53 óbitos por 100 mil nascidos vivos em 2021.
Dr. Eduardo Santana, diretor médico da healthtech Nattal, explica que, durante o pré-natal, tanto as gestantes quanto os obstetras enfrentam desafios na organização de protocolos e regras para momentos específicos da gestação, e a tecnologia facilita essa logística.
"Um obstetra acompanha cerca de 30 a 40 gestantes ao mesmo tempo. É um desafio lembrar de tudo. A IA permite otimizar processos, além de aumentar a segurança na assistência", afirma.
O especialista pontua que a tecnologia ajuda no dia a dia do pré-natal, mas não substitui o obstetra. Segundo ele, a IA pode apoiar o médico em tarefas como organizar informações, revisar exames, identificar alterações laboratoriais e lembretes importantes do acompanhamento da gestante.
"O obstetra ganha tempo e segurança para focar o olhar na paciente, conversar, acolher suas dúvidas e tomar decisões individualizadas. No fim, a tecnologia ajuda a tornar o cuidado mais eficiente, mas o vínculo, a escuta e a responsabilidade continuam sendo humanos", complementa o médico.
Criação do Nattal
Henrique Netzka, CEO e fundador da healthtech Nattal conta que o software é um prontuário obstétrico inteligente, com cartão de pré-natal automático que alcançou mais de mil usuários obstetras em seis meses de lançamento. Para ele, o marco indica que há uma carência real no mercado obstétrico por uma tecnologia que ajude de fato estes profissionais.
"Apesar do avanço no uso de tecnologias inovadoras e da IA na medicina, o consultório segue analógico, o médico sem ajuda real e os obstetras se sentem pouco contemplados. Os prontuários atuais existem para cobrir uma necessidade legal de registro, mas ainda falham em apoiar o médico no dia a dia. O Nattal foi criado justamente com esse foco: efetivamente auxiliar o obstetra durante o atendimento. A resposta do mercado tem sido muito positiva, o que confirma que há espaço para soluções como esta", revela o CEO.
O fundador da Nattal avalia que a digitalização de instrumentos básicos do dia a dia, como o cartão de pré-natal em papel, tem um papel fundamental na modernização da rotina médica. Para ele, soluções que simplificam processos operacionais e apoiam diretamente o atendimento ao paciente são essenciais para tornar o trabalho do obstetra mais eficiente, organizado e seguro.
Um artigo publicado pela Springer Nature conclui que o avanço do uso de novas tecnologias na obstetrícia ainda ocorre em ritmo inferior ao observado em outras áreas da saúde. Segundo a publicação, a integração entre IA, análise de dados e engenharia biomédica pode ampliar a identificação de padrões clínicos, aprimorar diagnósticos e apoiar decisões mais individualizadas na assistência materno-fetal.
Segundo Netzka, dois pontos têm impulsionado a adesão da plataforma e, por conseguinte, da tecnologia no consultório. O CEO detalha que, em vez de um prontuário em formato de texto corrido, o Nattal organiza os dados em campos específicos, como idade gestacional, acompanhamento de alto risco e gráficos de evolução da gestação, o que facilita a condução da consulta.
De acordo com o executivo, a proximidade entre médico e gestante leva ao amplo uso do WhatsApp na obstetrícia, o que acaba se tornando também uma fonte de sobrecarga, especialmente com dezenas de pacientes acompanhadas simultaneamente. Para reduzir esse volume, a plataforma concentra parte dessas interações, como envio de exames, dúvidas não urgentes e prescrições anteriores, deixando o WhatsApp restrito a situações de urgência.
"A plataforma usa a tecnologia para tornar o atendimento mais fluido, já que o médico não precisa estudar um prontuário em texto corrido, e reorganizar o fluxo de comunicação, reduzindo significativamente a sobrecarga do médico no dia a dia", afirma o fundador.
Para o CEO, a modernização do acompanhamento pré-natal torna a experiência da gestante durante a gravidez muito mais moderna e facilita, inclusive, o caminho em gestações de alto risco. "O Brasil soma anualmente cerca de 2,8 milhões de gestantes, com 18% delas com diabetes gestacional, que precisam testar e dosar a glicemia de quatro a seis vezes por dia. Antes do Nattal, elas anotavam isso em um papel, que seria levado na próxima consulta", conta.
O executivo destaca que, com a plataforma, as pacientes registram as informações no aplicativo e os resultados são disponibilizados diretamente para a equipe médica. Caso seja identificada uma tendência de alta, o acompanhamento pode ser feito de forma imediata, sem necessidade de aguardar a próxima consulta.
Para mais informações, basta acessar:https://nattal.com.br
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