Sexta, 22 de Maio de 2026

IA em consulta médica ajuda pacientes com câncer de próstata

Especialista explica como ferramentas digitais podem melhorar o entendimento dos pacientes sobre diagnóstico e tratamento e destaca a importância d...

22/05/2026 às 10h15
Por: Redação Fonte: Agência Dino
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A dificuldade em compreender e reter informações médicas após consultas é um desafio comum entre pacientes, independentemente do diagnóstico. No caso do câncer de próstata, esse cenário pode ser ainda mais crítico, já que muitos homens tendem a procurar assistência médica de forma tardia e com menor frequência.

Dados do Ministério da Saúde indicam que 70% dos homens que buscam atendimento médico o fazem com influência de familiares, como cônjuges ou filhos, e, em muitos casos, já com a doença em estágio mais avançado. Diante da complexidade da doença e das diferentes etapas do tratamento, o uso de tecnologias digitais tem ganhado espaço como aliado para melhorar o entendimento e o engajamento dos pacientes ao longo da jornada de cuidado.

Nesse contexto, a dificuldade em absorver e reter informações durante a consulta se torna um ponto de atenção relevante, especialmente diante de diagnósticos que envolvem múltiplas etapas e decisões terapêuticas a serem tomadas. De acordo com o Dr. Bruno Benigno, urologista de referência nos Centros de Urologia e Oncologia do Hospital Alemão Oswaldo Cruz, é comum que pacientes saiam do consultório com dúvidas ou sem conseguir compreender plenamente todas as orientações recebidas.

"Muitas vezes, o paciente recebe um volume grande de informações em um momento sensível, como o diagnóstico ou a definição do tratamento, e não consegue reter tudo o que foi discutido. Isso é mais comum do que se imagina", explica o Dr. Benigno.

Quando as orientações médicas não são totalmente assimiladas, isso pode impactar diretamente a adesão ao tratamento e a qualidade de vida do paciente. Por isso, para enfrentar esse desafio, o Dr. Bruno Benigno passou a utilizar uma ferramenta baseada em inteligência artificial durante as consultas.

A tecnologia registra e organiza automaticamente as informações discutidas, gerando um material estruturado com orientações médicas, hipóteses diagnósticas e condutas recomendadas, que pode ser acessado posteriormente pelo paciente. Ele é orientado e realiza a assinatura de um termo de consentimento, autorizando o uso das informações durante a consulta, sem compartilhamento para outros fins ou com terceiros.

"A proposta é garantir que o paciente tenha acesso a um registro claro e organizado de tudo o que foi conversado durante a consulta. Assim, ele pode revisitar essas informações com calma, no seu tempo, o que contribui para um melhor entendimento do diagnóstico e das próximas etapas", destaca o especialista.

O câncer de próstata é um dos tipos mais incidentes entre homens no Brasil e, em muitos casos, pode evoluir de forma silenciosa, especialmente em estágios iniciais. Quando identificado em fases mais avançadas, o tratamento tende a se tornar mais complexo e pode envolver diferentes abordagens ao longo do tempo. Nesse cenário, o acesso à informação clara e de qualidade é fundamental para que o paciente compreenda sua condição e participe ativamente das decisões relacionadas ao cuidado.

Com os avanços da medicina, diferentes abordagens têm ampliado as possibilidades de cuidado, especialmente em cenários mais complexos. Entre elas estão terapias hormonais, quimioterapia, tratamentos-alvo e abordagens da medicina nuclear, como as terapias com radioligante, que combinam diagnóstico e tratamento de forma personalizada. Esse cenário reforça a importância de um acompanhamento estruturado e de uma boa compreensão, por parte do paciente, sobre cada etapa da jornada.

"Hoje, contamos com opções terapêuticas cada vez mais diversas e direcionadas, o que torna ainda mais importante que o paciente esteja bem-informado e acompanhado em todas as fases do tratamento", ressalta o Dr. Benigno.

Para Bruno, o uso de soluções digitais não substitui a relação entre médico e paciente, mas pode potencializar a qualidade do cuidado. "A tecnologia vem como uma aliada para ampliar a comunicação e facilitar o entendimento, mas o vínculo entre médico e paciente continua sendo essencial. O objetivo é tornar esse processo mais claro, acessível e centrado no paciente", pondera.

O especialista reforça ainda a importância de que os homens mantenham uma rotina de acompanhamento da saúde. "Muitos ainda adiam consultas e exames, o que pode impactar o diagnóstico e o tratamento. Buscar orientação médica e informação de qualidade é um passo fundamental para um cuidado mais adequado", finaliza.

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