
As cirurgias urológicas reconstrutivas são procedimentos complexos da medicina, exigindo extrema precisão, domínio anatômico e experiência cirúrgica. Nos últimos anos, a cirurgia robótica tem promovido avanços significativos nessa área, ampliando as possibilidades de reconstrução e oferecendo melhores resultados funcionais aos pacientes.
"O uso da tecnologia robótica em cirurgias urológicas reconstrutivas vem ganhando muita importância recentemente", explica o Dr. Victor Hugo Borges, urologista e especialista em cirurgia urológica e cirurgia robótica do Instituto de Cirurgia Robótica do Triângulo (ICR.T), que acompanha de perto a evolução dessas técnicas.
A evolução das reconstruções urológicas
Entre os principais avanços estão os procedimentos realizados em pacientes submetidos à cistectomia radical, cirurgia indicada para o tratamento de câncer de bexiga. Nesse contexto, a confecção de uma neobexiga e a implantação dos ureteres podem ser feitas com nível elevado de detalhamento e precisão.
Além disso, de acordo com o cirurgião, a cirurgia robótica tem mostrado grande eficácia em reconstruções de ureter, especialmente em casos de lesões ou estenoses complexas e em reconstruções de uretra, indicadas para o tratamento de estenoses (estreitamentos), condição que compromete o fluxo urinário e a qualidade de vida. Essas cirurgias, quando realizadas por via robótica, apresentam altas taxas de sucesso funcional e baixa morbidade.
Precisão milimétrica e novas possibilidades no tratamento urológico
A evolução das plataformas robóticas transformou a forma como cirurgias urológicas complexas são realizadas. "A grande precisão de movimentos e a visão em 3D das plataformas robóticas estão permitindo aos cirurgiões encontrarem cada vez mais aplicabilidade do robô para vários tipos de cirurgias", destaca o médico.
A visão tridimensional ampliada, aliada ao filtro de tremores e aos instrumentos articulados, possibilita movimentos mais naturais e controlados do que aqueles alcançados pelas técnicas laparoscópicas convencionais. "Essas características tornam o robô especialmente vantajoso em áreas anatômicas profundas e de difícil acesso, como a pelve. Esse avanço tecnológico impulsiona o surgimento de novas técnicas robóticas, mais eficazes e seguras, contribuindo de forma direta para a evolução da medicina urológica e para a ampliação das indicações cirúrgicas minimamente invasivas", completa.
Cirurgia robótica é grande aliada
Apesar dos avanços tecnológicos, as reconstruções urológicas robóticas seguem sendo procedimentos de alta complexidade. Cada nova técnica descrita exige curva de aprendizado, treinamento contínuo e atuação integrada de uma equipe experiente.
"A realização dessas cirurgias com autoridade e segurança é um grande desafio, e por isso é fundamental trabalhar com cirurgiões muito experientes em cirurgias minimamente invasivas. Os melhores resultados em cirurgia robótica reconstrutiva estão diretamente relacionados ao volume cirúrgico do centro e à experiência da equipe multidisciplinar", reforça o Dr. Victor Hugo.
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