
A cirurgia endoscópica da coluna vertebral se expandiu nas últimas duas décadas, um movimento evidenciado pelo artigo "Global Trends and Hotspots of Endoscopic Discectomy: Based on Bibliometric Analysis", divulgado pela Revista Neuroscience. A técnica surgiu há cerca de 30 anos como uma alternativa menos invasiva que às cirurgias tradicionais para o tratamento da hérnia de disco lombar. Porém, atualmente, suas indicações são amplas e podem tratar a maioria das patologias degenerativas da coluna.
Os novos trabalhos científicos mundiais nos últimos anos, como um artigo publicado recentemente pela Sociedade Coreana de Neurocirurgia, indicam que os avanços tecnológicos permitiram ampliar o uso de técnicas minimamente invasivas no tratamento da maioria das doenças degenerativas da coluna, além de ampliarem sua aplicação para casos de infecções, traumas e tumores.
Dr. Michael Minsu Shu, médico ortopedista, especialista em cirurgia da coluna, explica que a principal diferença da técnica endoscópica para a cirurgia de coluna tradicional é a mínima agressão à pele e à estrutura muscular.
"A abordagem permite que os pacientes tenham uma recuperação pós-operatória muito mais rápida, podendo receber alta no mesmo dia da cirurgia, ou no dia seguinte, e retomar suas atividades rotineiras mais rapidamente", acrescenta o especialista.
O médico afirma que o avanço tecnológico, com câmeras de alta definição e instrumentos cirúrgicos de última geração, aliado à habilidade do cirurgião de coluna, permite tratar problemas complexos com o mínimo de agressão aos tecidos no entorno da coluna.
"Isso torna as cirurgias muito mais precisas e menos danosas ao paciente. Por isso, muitas vezes, ele se recupera da anestesia, realiza as primeiras atividades de fisioterapia e já sai caminhando para casa", esclarece o profissional.
O cirurgião ortopedista destaca que a maioria das doenças degenerativas da coluna, como hérnias de disco, cistos, escorregamento de vértebras e estenoses com fechamento do canal vertebral, estão entre as condições atualmente tratadas com sucesso pela endoscopia de coluna. "Com o decorrer do avanço do uso das técnicas Endoscópicas, houve uma ampliação das indicações para seu uso com sucesso".
O estudo publicado na Scientific Reports da Nature, uma das revistas científicas mais conceituadas do mundo, avaliou pacientes submetidos a cirurgia de estenose lombar, revelando que ambas as técnicas Endoscópicas Uniportal (ou FESS, do inglês Full Endoscopic Spine Sugery) e Biportal da Coluna (ou UBE, do inglês Unilateral Biportal Endoscopy) foram tão eficazes quanto técnicas convencionais quando comparadas a resultados clínicos e superiores em relação a recuperação precoce do paciente (marcadores laboratoriais e dano muscular no pós operatório).
Inovação na Coreia do Sul e prática no Brasil
A Coreia do Sul ocupa uma posição de destaque na inovação da cirurgia endoscópica da coluna, tanto pelo desenvolvimento de novas técnicas quanto pelo aprimoramento das abordagens já existentes. O país também se consolidou como um polo exportador de conhecimento e formador de líderes regionais e mundiais na endoscopia de coluna.
"Um exemplo é a endoscopia biportal, que vem sendo difundida internacionalmente. Esse conjunto de avanços coloca a Coreia do Sul na liderança do desenvolvimento científico da área, país que também reúne alguns dos cirurgiões mais habilidosos do mundo na Endoscopia de Coluna", revela o Dr. Michael Minsu Shu.
Para o especialista, o principal desafio para ampliar e popularizar esses avanços da cirurgia da coluna no Brasil é a necessidade de maior capacitação dos profissionais da área no país sobre as técnicas endoscópicas, somada à necessidade de políticas que garantam à população o acesso a essas inovações.
O Dr. Michael Minsu Shu viveu por três anos na Coreia do Sul, onde se atualizou sobre os avanços mais recentes da Endoscopia de Coluna, e atua para incorporar esse conhecimento à prática clínica no Brasil. Segundo o especialista, esse processo envolve a introdução de novas abordagens e a modernização de técnicas endoscópicas já utilizadas no país, o que tem contribuído para a redução do tempo cirúrgico.
"É uma honra poder fazer parte do desenvolvimento da Endoscopia de Coluna no nosso país, não só ensinando técnicas, mas também participando da disseminação de avanços técnicos que muitos acreditavam serem inviáveis, como a abordagem de múltiplos níveis com uma única incisão menor que um centímetro e fusões intersomáticas pela Endoscopia Biportal", explica o médico.
Para saber mais, basta acessar: https://drmichaelminsushu.com.br/
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