Saúde Denúncia
Três recém-nascidos podem ter perdido a vida devido a falhas no atendimento da UTI pediátrica
O anunciador afirmou que pacientes com essas características têm uma chance de recuperação entre 25% e 50% quando a técnica correta é aplicada
26/07/2023 08h31 Atualizada há 2 anos
Por: Alencar Fonte: Folha Web
Ascom/Sesau

Uma denúncia chocante envolvendo a precarização das diálises no Hospital Materno Infantil Nossa Senhora de Nazareth, em Roraima, ganhou destaque após o possível óbito de três recém-nascidos internados na UTI pediátrica, entre os dias 17 e 21 de julho. Um médico, que prefere manter sua identidade em sigilo por temer retaliações, encaminhou um relatório completo contendo prontuários e pareceres do estado de saúde dos pacientes para três órgãos de fiscalização, a fim de cobrar a devida apuração dos casos.

O Ministério Público de Roraima (MPRR) confirmou o recebimento da denúncia e garantiu a investigação minuciosa dos fatos denunciados, prometendo tomar as medidas necessárias para garantir a responsabilização dos envolvidos. O Conselho Regional de Medicina (CRM-RR) também afirmou estar apurando rigorosamente todas as denúncias que chegam à instituição e prometeu adotar todas as medidas cabíveis.

Segundo o denunciado, uma médica nefrologista solicitou diálise urgente para um recém-nascido internado com pneumonia grave, mas não foram encontradas evidências de que o procedimento havia sido realizado, evoluiu na evolução para o óbito do paciente. Em outro caso, um recém-nascido com experiência renal aguda teve a diálise indicada por um pediatra plantonista, mas o procedimento iniciado com mais de 2 horas de atraso e foi realizado de forma antecipada, utilizando um cateter adulto adaptado para criança no abdômen.

Ainda de acordo com o médico denunciante, um terceiro recém-nascido também sentiu problemas na conclusão da diálise, que foi indicado para início imediato com o uso de um cateter neonatal adequado e outros aparatos específicos. No entanto, o procedimento não foi realizado, e a criança veio a falecer.

O anunciador afirmou que pacientes com essas características têm uma chance de recuperação entre 25% e 50% quando a técnica correta é aplicada. Portanto, ele rejeita qualquer narrativa de que as crianças evoluiriam inevitavelmente para o óbito, atribuindo a responsabilidade ao governo estadual e à empresa credenciada pelo serviço.

Além das graves falhas no atendimento, o médico também denunciou casos claros de assédio moral por parte de gerentes, incluindo a secretária de Saúde, Cecilia Lorenzon. Segundo ele, tais atos estão causando doenças psíquicas e afastamentos entre os médicos nefrologistas estatutários, o que agrava ainda mais o quadro de precariedade na saúde pública de Roraima.