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Cidades inteligentes ampliam demanda por segurança integrada
Municípios ampliam monitoramento e aceleram investimentos em infraestrutura conectada
15/06/2026 13h11
Por: Redação Fonte: Agência Dino

A expansão dos projetos de cidades inteligentes tem impulsionado uma nova corrida por infraestrutura tecnológica no Brasil. À medida que as prefeituras ampliam investimentos em videomonitoramento, centros de operações e plataformas de gestão urbana, cresce também a demanda por redes de comunicação, armazenamento de dados e sistemas capazes de integrar informações de diferentes áreas da administração pública.

O movimento acompanha uma mudança na forma como os municípios lidam com segurança, mobilidade e prestação de serviços à população. O conceito de cidade inteligente, antes associado principalmente às capitais, passou a fazer parte da agenda de cidades de diferentes portas, impulsionado pela digitalização dos serviços públicos e pela busca por maior eficiência operacional.

O CEO da Sol Atacadista, Cláudio Mohn França, pontua que a transformação deixou de ser uma tendência de longo prazo para se tornar uma necessidade prática da gestão pública. "A discussão não está concentrada apenas na adoção de tecnologia. As cidades estão buscando formas de conectar informações, otimizar recursos e tomar decisões com mais agilidade", afirma.

Na avaliação do executivo, o avanço dos centros de operações e das plataformas integradas reflete uma mudança estrutural na forma como os municípios utilizam tecnologia para planejar serviços públicos, monitorar ocorrências e coordenar respostas em tempo real.

Os números ajudam a dimensionar esse avanço. A pesquisa TIC Governo Eletrônico 2023 mostra que 91% das prefeituras brasileiras já oferecem ao menos um serviço digital ao cidadão.

Quando o foco passa para tecnologias aplicadas diretamente à gestão urbana, porém, o espaço para crescimento permanece significativo. Levantamento do Cetic.br aponta que 32% das prefeituras do interior possuíam centros de operações para monitoramento de trânsito, segurança ou emergências em 2023. Entre as capitais, o percentual chegava a 89%.

A ampliação dessas estruturas ocorre paralelamente ao aumento da participação dos municípios na agenda de segurança pública. Dados da Pesquisa de Informações Básicas Municipais (Munic), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), indicam que 30,7% das cidades brasileiras possuíam alguma estrutura organizacional voltada para a área em 2023, acima dos 23,6% registrados em 2019. No mesmo período, o número de municípios com Guarda Municipal cresceu 11,3%.

Da vigilância à inteligência operacional

A mudança de perfil dos projetos também alterou a demanda dos gestores públicos. Segundo o coordenador comercial nacional da Sol Atacadista, Isaias Júnior, a busca por equipamentos isolados tem dado lugar a soluções capazes de gerar informações estratégicas para a tomada de decisão.

"O gestor público não busca mais apenas uma câmera instalada em um ponto da cidade. Ele procura uma solução capaz de gerar informação, integrar áreas e apoiar decisões operacionais em tempo real", diz.

Isaías ressalta que a segurança urbana passa a depender cada vez mais da capacidade de transformar imagens e dados em ações coordenadas. Tecnologias como leitura automática de placas, análise inteligente de vídeo, cercamento eletrônico e monitoramento em tempo real começam a operar de forma integrada, permitindo respostas mais rápidas e melhor aproveitamento dos recursos públicos.

"O valor da tecnologia está na capacidade de conectar informações que antes estavam dispersas. Quando diferentes sistemas passam a conversar entre si, o município ganha visão operacional e capacidade de resposta", acrescenta.

O avanço desse modelo pode ser observado em iniciativas espalhadas pelo país. No Rio de Janeiro, a expansão do Centro de Operações e Resiliência prevê integração com milhares de câmeras, sensores e pontos de conectividade. Em São Paulo, o programa Smart Sampa informou ter alcançado 40 mil câmeras em operação.

Já Curitiba divulgou reduções de criminalidade em áreas monitoradas pela Muralha Digital. Embora possuam características distintas, os projetos apontam para uma mesma direção: a utilização da tecnologia como ferramenta permanente de apoio à gestão urbana.

O desafio da integração

A integração entre diferentes sistemas, no entanto, ainda é um desafio para boa parte das cidades brasileiras. Ícaro Fabrizi, gestor de projetos da Sol Atacadista, observa que muitos municípios operam estruturas implantadas em momentos distintos e sem comunicação entre si.

"É diferente projetar uma solução para monitorar entradas e saídas da cidade, acompanhar o fluxo de veículos, proteger prédios públicos ou apoiar a Defesa Civil. Cada aplicação exige uma arquitetura específica, com requisitos próprios de rede, armazenamento, energia e segurança", analisa.

Na avaliação do gestor, equipamentos que funcionam adequadamente de forma individual nem sempre entregam todo o potencial operacional quando os dados permanecem fragmentados. Por isso, os projetos mais recentes já nascem com foco na interoperabilidade entre plataformas.

"A eficiência não depende apenas da tecnologia instalada, mas da capacidade de integrar câmeras, sensores, comunicação, armazenamento e operação dentro de uma estratégia única de gestão", complementa Fabrizi.

Para Cláudio Mohn, o amadurecimento desse mercado deve acelerar uma nova etapa dos investimentos públicos em tecnologia. Segundo ele, a tendência é que os municípios passem a priorizar projetos capazes de sustentar crescimento contínuo, governança dos dados e integração de longo prazo.

"As cidades estão construindo uma infraestrutura que precisará suportar novos serviços, mais conectividade e um volume crescente de informações. O desafio passa a ser garantir que essa base tecnológica tenha capacidade de evoluir ao longo do tempo, mantendo segurança, interoperabilidade e eficiência operacional", afirma o executivo.