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Distúrbio metabólico e obesidade afetam saúde geral do corpo
Alterações podem comprometer circulação sanguínea, impactar órgãos essenciais e ser evidenciadas em exames de sangue. Dr. Paul Dulley, hematologist...
11/03/2026 09h41
Por: Redação Fonte: Agência Dino

A obesidade prejudica a função microvascular do organismo, podendo entupir e "secar" microvasos, dependendo do excesso de gordura. Isso gera uma espécie de pane no sistema circulatório, responsável pelo transporte e distribuição do sangue nos tecidos e órgãos. A conclusão é de um estudo realizado pelo Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz) em parceria com a Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ).

O foco da pesquisa foi a epiderme, órgão humano mais extenso, e os resultados apontam que a obesidade traz impactos para a microcirculação sanguínea da pele, retroalimentando a própria condição de sobrepeso. Esta rarefação microvascular leva à redução do fluxo sanguíneo nos vasos, causando doenças em órgãos essenciais como o coração, o cérebro e os rins.

O Dr. Paul Dulley, médico hematologista e especialista em modulação intestinal e disbiose, alerta que a obesidade é uma doença crônica com repercussões metabólicas importantes e representa fator de risco para condições como diabetes tipo 2, doenças cardiovasculares e alguns tipos de câncer. "O tecido adiposo atua como órgão endocrinamente ativo e, em excesso, pode produzir alterações que impactam a saúde geral do paciente".

O médico acrescenta que o excesso de tecido adiposo gera inflamação crônica e desregulação metabólica, provocando elevação de marcadores como glicose em jejum e triglicerídeos, redução do colesterol HDL e aumento da ferritina com ferro sérico reduzido — fenômeno associado ao paradoxo do ferro e à inflamação. Também podem ocorrer alterações em enzimas hepáticas e marcadores inflamatórios.

"Alterações do hemograma como poliglobulia — excesso de glóbulos vermelhos que torna o sangue mais espesso —, anemia (que reduz oxigenação e pode causar cansaço), aumento dos leucócitos ligado à inflamação e elevação das plaquetas favorecem risco cardiovascular e trombótico", afirma o especialista.

O hematologista explica que marcadores inflamatórios como fibrinogênio, homocisteína, ferritina, GGT e PCR de alta sensibilidade ajudam a identificar processos inflamatórios e estratificar o risco cardiovascular e sistêmico em pacientes com obesidade e síndromes metabólicas.

Para o Dr. Paul Dulley, é importante analisar conjuntamente exames metabólicos e hematológicos na investigação de diferentes tipos de anemia e outras alterações laboratoriais. "A anemia é muito prevalente e está envolvida em muitas doenças, enquanto as doenças do metabolismo afetam todos os sistemas e o sangue, que faz grande parte da conexão pelo corpo. A avaliação deve ser global e não isoladamente em cada órgão".

De acordo com o médico hematologista, os diferentes tipos de anemia interferem no resultado laboratorial da hemoglobina glicada, podendo confundir e até atrasar o diagnóstico de resistência insulínica e diabetes.

"As anemias podem alterar o tempo de vida das hemácias, elevando ou baixando os índices e mascarando o controle glicêmico. A deficiência de ferro, vitamina B12 e ácido fólico pode elevar o resultado, enquanto anemias hemolíticas, sangramentos e doença renal crônica podem reduzi-lo", pontua.

Diagnóstico e tratamento

Para o Dr. Paul Dulley, o acompanhamento contínuo serve para definir prioridades na intervenção e excluir aos poucos os diagnósticos diferenciais. Ele permite ver o impacto das mudanças já realizadas, análise de tendência, correlação temporal, individualização terapêutica e detecção precoce de complicações.

"Avaliação de tendência é mais importante que valor isolado; o organismo frequentemente cria mecanismos adaptativos, então sempre precisamos distinguir entre o que é causa, consequência e compensação", acrescenta ele.

O especialista observa que o acompanhamento contínuo e a avaliação em conjunto de todas as comorbidades, histórico familiar, uso de medicações, exames prévios, prática de exercício físico e condições de coleta podem ajudar a superar desafios na interpretação dos exames laboratoriais em pacientes com múltiplas alterações metabólicas pelo fato de estes serem interdependentes e dinâmicos.

"As alterações metabólicas estão interligadas, por exemplo, a hiperglicemia altera triglicerídeos; a resistência insulínica altera perfil lipídico; a doença renal modifica eletrólitos, hemoglobina, vitamina D, PTH e a obesidade pode elevar o PCR mesmo sem infecção. Além disso, uma variedade de medicações modifica os exames de sangue, o exercício físico, se realizado de forma intensa, pode alterar as enzimas musculares, alterar o leucograma e a função renal de forma temporária", esclarece o hematologista.

O Dr. Paul Dulley ressalta que o trabalho integrado entre diferentes profissionais de saúde contribui para uma interpretação mais completa dos exames laboratoriais e para decisões terapêuticas mais assertivas. "O trabalho entre médicos, nutricionistas, preparador físico e psicólogo é fundamental para decisões clínicas mais seguras, individualizadas e eficazes, além de garantir maior adesão ao tratamento".

Segundo o hematologista, o nutricionista prescreve a dieta, o preparador físico orienta o exercício e o psicólogo identifica distúrbios alimentares e dá ferramentas para manejo do estresse. "A equipe multiprofissional permite integrar dados laboratoriais, condições clínicas, uso de medicamentos, estado nutricional e aspectos sociais e comportamentais. Essa visão integral proporciona uma abordagem biopsicossocial", enfatiza.

O médico destaca que a identificação precoce de alterações nos exames de sangue permite atuar antes que o distúrbio metabólico se manifeste clinicamente ou gere complicações irreversíveis, e reforça que a maioria dos distúrbios metabólicos começa silenciosamente.

"Se alterações forem identificadas cedo, é possível iniciar medidas não farmacológicas antes de medicamentos. A alteração da glicemia e peso corporal pode ser ajustada com dieta e a atividade física pode melhorar o perfil lipídico e o status cardiovascular. Prevenir é sempre mais eficaz e menos oneroso do que tratar complicações", salienta o especialista.

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