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Tratamento da catarata inclui implante de lente intraocular
Procedimento cirúrgico substitui o cristalino opaco e é indicado quando a visão compromete atividades diárias. Dr.José Augusto Pádua Salas, oftalmo...
16/02/2026 10h45
Por: Redação Fonte: Agência Dino

A catarata é uma doença ocular caracterizada pela opacificação do cristalino, a lente natural do olho. No Brasil, quase 30% das pessoas com mais de 60 anos têm a condição, uma das principais causas de perda de visão, de acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, divulgados pela Revista Brasil.

O tratamento da catarata é cirúrgico, com substituição do cristalino opaco por uma lente intraocular. A escolha da técnica e da lente depende das características de cada paciente e a indicação para cirurgia ocorre quando a catarata compromete a visão nas atividades diárias.

Dr. José Augusto Pádua Salas, médico oftalmologista do Centro Especializado em Oftalmologia de Contagem - MG(CEOC), afirma que os sintomas mais comuns que indicam a presença de catarata e que devem levar o paciente a procurar um especialista são visão embaçada, dificuldade de ver à noite e de contraste.

"O processo da catarata geralmente começa a partir dos 55 anos. Os óculos não proporcionam mais uma visão nítida e isso impacta a qualidade de vida do paciente, que deve passar por avaliação com um oftalmologista e posteriormente por cirurgia para melhora da visão", acrescenta o médico.

Procedimento cirúrgico

Segundo o oftalmologista, a facoemulsificação, técnica cirúrgica mais utilizada, consiste em uma incisão de apenas dois milímetros na córnea e, com o auxílio de um aparelho facoemulsificador (caneta ultrassônica), a catarata é aspirada. Dr. José Augusto Pádua Salas destaca que a anestesia é feita com colírios anestésicos e sedativo venoso.

"Não há necessidade de anestesia geral ou injeção peri-ocular, sendo um procedimento indolor. A duração da cirurgia de catarata é de no máximo 15 minutos. A incisão corneana é auto-selante e a recuperação visual após a cirurgia é mais rápida, com menores índices de complicações e infecções", frisa.

O médico explica que a sonda de facoemulsificação é inserida através da incisão da córnea e o ultrassom quebra a catarata em fragmentos microscópicos, que podem ser aspirados usando a ponta da sonda. Segundo ele, a lente intra-ocular dobrável artificial é inserida e, uma vez dentro do saco capsular, a lente se desdobra e a visão é restaurada.

"Hoje, a cirurgia de catarata é muito segura e rápida. Não há necessidade de pontos na cirurgia, a incisão é muito pequena e as lentes intraoculares podem resolver apenas a catarata ou eliminar o grau dos óculos, tanto para longe quanto para perto".

O Dr. José Augusto Pádua Salas pontua que a lente intraocular deve ser decidida em conjunto e de maneira individualizada para cada paciente. Ele reforça que o momento ideal para realizar a cirurgia é quando a visão não está mais atendendo a necessidade do paciente e os óculos não trazem uma visão nítida.

Conforme orienta o especialista, o exame de rotina é suficiente para validar o diagnóstico de catarata, embora existam exames mais completos que detalham o estágio e a perda da visão, como a biometria a laser. 

"O exame de rotina deve ser feito anualmente por todos os pacientes, pois mede a pressão intraocular e examina o fundo de olho, permitindo avaliar problemas sistêmicos como Hipertensão Arterial Sistêmica e diabetes", alerta.

A pesquisa Demografia Médica no Brasil 2025, publicada pela Fenacor, revela que o Brasil realizou cerca de 1,8 milhão de cirurgias de catarata em 2024, das quais 64% foram realizadas pelo Sistema Único de Saúde (SUS). 

Considerada a população atendida, a taxa foi de 736,3 cirurgias por 100 mil habitantes na rede pública e de 1.278 por 100 mil entre os beneficiários de convênios, que representam cerca de um quarto da população brasileira.

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