Justiça Trabalho Escravo
Fazendeiros e empregador de construção civil em Roraima entraram na 'Lista Suja' por trabalho escravo
Ministério do Trabalho e Emprego atualiza lista com casos de trabalho escravo em Roraima entre 2018 e 2023
11/10/2023 13h09 Atualizada há 2 anos
Por: Alencar
Foto: Divulgação

Dois fazendeiros e um empregador da área de construção civil em Roraima entraram para a chamada "lista suja" do trabalho escravo, após manterem trabalhadores em condições análogas à escravidão. A lista foi atualizada neste mês de outubro pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE).

A lista atualizada inclui casos identificados pela Inspeção do Trabalho entre 2018 e 2023. Nesse período, 13 pessoas foram resgatadas em condições análogas à escravidão no estado.

Um dos fazendeiros incluídos na lista é Rafael Falcão de Freitas, empregador da Fazenda Reunidas, localizado na vicinal 3 Ajarani, no município de Iracema, região ao Sul de Roraima. Segundo a lista, a fazenda dele foi fiscalizada em 2019, e na ocasião, oito pessoas foram resgatadas do local, onde havia criação de gado de corte.

Outra fazenda que passou a figurar na lista é a Fazenda Rio Branco, localizada na zona Rural de Mucajaí, município também ao Sul do estado. A empresa tem Wenderson Castri Quirino dos Santos como empregador. A ação de fiscalização resgatou duas pessoas em 2019.

Outro nome incluído na lista em outubro é Victor Hugo Corrêa Mansur, empregador de um canteiro de obras residenciais na capital Boa Vista, onde três pessoas foram resgatadas em 2018.

A atualização da "lista suja" deste mês incluiu mais 204 trabalhadores que submeteram trabalhadores às condições análogas à escravidão em todo o Brasil. É a maior atualização da história, de acordo com o Ministério do Trabalho e Emprego.

As atividades econômicas dos investidores brasileiros incluem na lista envolvimento produção de carvão vegetal (23), criação de bovinos para corte (22), serviços domésticos (19), cultivo de café (12) e extração e britamento de pedras (11).

O processo de inclusão na "lista suja" ocorre após a conclusão do processo administrativo que julga o caso, com uma decisão que não pode ser recorrida. Uma "lista suja" existe desde 2004, mas gerou impasses em governos anteriores. O Supremo Tribunal Federal determinou sua constitucionalidade após uma suspensão temporária.

Para denunciar casos de trabalho escravo, é possível utilizar o Sistema Ipê, que permite denúncias remotas e sigilosas em parceria com a Organização Internacional do Trabalho.